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O meu inicio na meditação se deu através de um livro do monge zen budista, Thich Nath Han - Para Viver em Paz-Editora Vozes, Thich Nhat Han já foi indicado ao Premio Nobel da Paz, ele é minha grande fonte de inspiração para as praticas meditativas. Meu foco são as meditações dinâmicas que podem ser aplicadas na vida cotidiana por isso são descritos vários tipos de práticas. As práticas meditativas transformaram minha vida e hoje sou mais centrado e feliz, consegui também frear e diminuir muito meus pensamentos. Praticante há muitos anos de práticas meditativas, através da Sociedade Budista do Brasil tive contato com monges de outros países onde pude desenvolver mais a minhas práticas. Participei em 2004 de um retiro de meditação com monges do Monastério do Thich Nhat Han. Em 2013 me tornei professor de meditação. As praticas meditativas devem ser incluídas paulatinamente em nossa vida diária como estilo de vida, a Plena Atenção ensinada por Buda pode ser vivenciada em qualquer lugar ou situação.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MOMENTO ZEN - 8ª Edição

Editor Mario N I
 

 
PACIÊNCIA   - A CIÊNCIA DA PAZ  


Mario Nigri Iampolschi 
Queremos resultados imediatos,  regamos as sementes, e arrancamos a planta antes do seu florescimento.

Se não temos  paciência,  nós começamos  uma  prática,   e  paramos, achando que já estamos bem, depois o sofrimento volta, pois ele só desceu para a consciência armazen, estava repousando, aguardando condições favoráveis para 
seu reaparecimento nos tirando de novo do caminho que planejamos , ele 
é o próprio obstáculo ao nosso crescimento, a Plena Atenção na vida cotidiana nos ajuda a estarmos conscientes também a esse processo. 
Quanto mais consciente você estiver , mais  você avança  no seu caminho.
    
    

MENTE ALERTA 
 
O Mestre Thich Nhat Han  nos ensina que a mente   é como nossa sala de visitas, as vezes recebemos convidados indesejáveis, se  brigamos com eles, eles ficarão para um longo bate-boca, mas se os tratarmos com serenidade indiferença, eles irão embora rapidamente. 

Nós também podemos convidar a felicidade, alegria, tranquilidade, amor e os servir com as melhores iguarias de nossa dispensa, com  nosso bom humor,  nossa paz, para tentar mantê-los o maior tempo possível conosco e se ainda assim eles disserem que estão indo, nos podemos lhes oferecer um "ultimo cafezinho".      
  

O RIO DE SENTIMENTOS    

Texto: Thich Nhat han

Nossos sentimentos desempenham um papel muito importante por dirigirem todos os nossos pensamentos reações. Existe em nós um rio de sentimentos, no qual cada gota d'água é um sentimento diferente e cada um depende de todos os outros para sua existência. Para observar esse rio, sentamo-nos à sua margem e identificamos cada sentimento à medida que ele vem à tona, passa por nós e desaparece.

Há três tipos de sentimentos — agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, podemos querer afastá-lo. O mais eficaz é voltar à nossa respiração consciente e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio para nós mesmos. "Inspirando, sei que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, sei que há  um sentimento desagradável em mim." Chamar o sentimento pelo seu nome,"raiva", "tristeza", "alegria" ou "felicidade", 
nos ajuda a identificá-lo com clareza e reconhecê-lo em maior profundidade. Podemos usar nossa respiração para entrar em contato com nossos sentimentos e aceitá-los. Se nossa respiração for leve e tranquila — resultado natural da respiração consciente — nossa mente e nosso corpo irão lentamente se tornando leves, tranquilos e claros. E da mesma forma nossos sentimentos. A observação plenamente consciente se baseia no princípio da "não-dualidade": nosso sentimento não está separado de nós nem foi causado apenas por algo externo a nós. 

Nosso sentimento é nosso eu, e temporariamente nós somos esse sentimento. Não submergimos nesse sentimento, nem nos aterrorizamos com ele, tampouco o rejeitamos.Nossa atitude de não nos agarrarmos aos nossos sentimentos e de tampouco rejeitá-los é a atitude de desapego,uma parte vital da prática da meditação.

Se encararmos nossos sentimentos desagradáveis com cuidado, afeição e não-violência, podemos transformá-los 
naquele tipo de energia que é saudável e que tem a capacidade de nos nutrir. Através da observação consciente, nossos sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores para nós, proporcionando-nos revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.



Não cirurgia

A medicina ocidental dá ênfase demais à cirurgia. Os médicos querem eliminar o que não for desejável. Quando temos algum distúrbio no corpo, eles muitas vezes nos aconselham uma operação. O mesmo parece se aplicar à psicoterapia.

Os terapeutas pretendem nos ajudar a descartar o que é indesejável e manter somente o que é desejável. Mas o que sobra pode não ser muito. Se tentarmos nos livrar do que não queremos, podemos nos livrar da maior parte de nós mesmos.
Em vez de agir como se pudéssemos nos desfazer de partes de nós mesmos, deveríamos aprender a arte da 
transformaçãoPodemos transformar nossa raiva, por exemplo, em algo mais salutar, como a compreensão.  Não precisamos de cirurgia para eliminar nossa raiva. 

Se nos enfurecermos com nossa raiva, teremos duas raivas ao mesmo tempo. Devemos apenas observá-la com amor e atençãoSe cuidarmos da nossa raiva dessa forma, sem tentar fugir dela, ela se transformaráE uma pacificação. Se estivermos em paz em nosso íntimo, poderemos aceitar nossa raiva. E possível tratar a depressão, a ansiedade, o medo ou qualquer sentimento desagradável dessa mesma forma.


Transformando os sentimentos


O primeiro passo ao lidar com os sentimentos é reconhecer cada sentimento no instante em que surgeO meio para isso é a plena consciênciaNo caso do medo, por exemplo, você recorre à plena consciênciaolha para o medo e o reconhece como medo. Você sabe que o medo brotou de você mesmo e que a plena consciência também brotou de você mesmo. Os dois estão em vocênão em luta, mas um cuidando do outro. O segundo passo consiste em se tornar uno como sentimento. Melhor não dizer, "Vá embora, Medo. Não gosto devocê. Você não é eu." Muito mais eficaz é dizer, "Oi, Medo. Como é que você está hoje?" Em seguida, você pode estimular esses seus dois aspectos, a plena consciência e o medoa se cumprimentarem como amigos e a se unirem.

Isso pode parecer assustador, mas, como você já sabe que você é mais do que seu medo, não é preciso se amedrontar. Desde que sua mente esteja alerta, ela fará companhia ao seu medo. 

A prática fundamental é nutrir a plena consciência com a respiração conscientepara mantê-la alertacheia de vida e forçaEmbora no inicio sua plena consciência possa não ser muito potente, se você a alimentar, ela se tornará mais forte. Contanto que a sua consciência esteja plena e presente, você não será submerso pelo medo. Na realidade, você começará transformá-lo no exato instante em que dentro de si der à luz a percepção.

O terceiro passo é o de acalmar o sentimento. Como a consciência plena está cuidando bem do seu medo, ele começa 
a acalmar-se. "Inspirando, acalmo as atividades do corpo e da mente." Você acalma seu sentimento só por estar com ele, como uma mãe segurando ternamente o filhinho que chora. Ao sentir a ternura da mãe, o neném se acalma e para  de chorar. A mãe é sua mente alerta, nascida das profundezas da sua consciência, e ela tratará do sentimento da dor.

A mãe que segura o bebê forma uma unidade com ele. Se a mãe estiver pensando em outras coisas, a criancinha não se acalmará. A mãe tem de abandonar as outras coisas e apenas segurar seu filhinho. Por isso, não evite seusentimento. 

Não diga, "Você não é importante. Você é só um sentimento." Passe a formar uma unidade com ele. Você pode dizer, "Expirando, acalmo meu medo."

O quarto passo é largar o sentimento, soltá-lo. Graças à sua calma, você está à vontade, mesmo em meio ao medo; e 
 sabe que esse medo não vai crescer e se transformar em algo esmagador. Quando você se descobre capaz de tomar conta do seu medo, ele já está reduzido a um mínimo, tornando-se mais brando e menos desagradável. Agora você pode sorrir para ele e deixá-lo partir, mas por favor não pare por aqui. Acalmar e largar um sentimento são apenas curas para os sintomas. Você agora tem a oportunidade de se aprofundar e trabalhar na transformadão da raiz do seu 
medo.

O quinto passo é olhar profundamente. Você examina em profundidade o seu bebê — seu sentimento de medo — para 
ver o que está errado, mesmo depois que o bebê parou de chorar, mesmo depois que o medo se foi. E impossível segurar uma criança no colo o tempo todo. Por isso, você deve examiná-la para ver a causa do que está errado. Com esse exame, você verá o que o ajudará a começar a transformar o sentimento. Você perceberá, por exemplo, que seu sofrimento tem muitas causas, internas e externas ao seu corpo. Se há algo de errado em volta dele, se você conserta a situação, com carinho e cuidado, ele se sentirá melhor. Ao examinar seu bebê, você verá os elementos que o estão fazendo chorar. Ao vê-los, você saberá o que fazer e o que não fazer para transformar o sentimento e se sentir livre.

Esse processo é semelhante ao da psicoterapia. Em companhia do paciente, o terapeuta observa a natureza da dor. 
Muitas vezes, o terapeuta pode revelar causas de sofrimento que se originam da forma pela qual o paciente encara a vida, das opiniões que ele tem sobre si mesmo, sobre a sua cultura e o mundo em geral. O terapeuta examina  esses pontos de vista e essas opiniões com o paciente, e juntos eles colaboram para libertá-lo daquele tipo de prisão em que estava. No entanto, o esforço do paciente é crucial. O professor deve trazer à luz o professor que existe dentro  do aluno; e o psicoterapeuta deve trazer à luz o psicoterapeuta que está no íntimo do seu paciente. 
 O "psicoterapeuta interno" do paciente poderá então trabalhar em tempo integral de uma forma muito eficaz.

O terapeuta não trata do paciente simplesmente lhe repassando um outro conjunto de opiniões. Ele tenta ajudar o 
paciente a perceber que tipos de ideias e de crenças levaram ao seu sofrimento. Muitos pacientes querem se ver livres dos sentimentos dolorosos, mas não querem se livrar das opiniões, dos pontos de vista que são as verdadeiras raízes dos seus sentimentos. Portanto, o terapeuta e o paciente têm que trabalhar juntos para ajudar o paciente a ver as coisas como elas são. 

O mesmo vale para quando recorremos à plena consciência para transformar nossos sentimentos. Depois de reconhecermos o sentimento, de nos tornarmos unos com ele, de o acalmarmos e de o largarmos, podemos examinar suas causas em profundidade. Elas muitas vezes se baseiam em percepções incorretas.  Assim que compreendemos as causas e a natureza dos nossos sentimentos, eles começam a se transformar.





VAMOS REFLETIR

Autor:  Mario N. Iampolschi

Na 6ª Ediçãofalamos sobre o inconsciente :   "se eu não quero chorar e sei que não devo chorar perante determinada situação mas não consigo deixar de o fazer, significa que o inconsciente está a dominar."  É assim que o inconsciente nos domina, e para não sermos refém dele praticamos a Plena Atenção Consciente.

A Plena Atenção na respiração e nos movimentos do corpo é um namo da nossa Consciênciasabemos que o dínamo transforma energia mecânica em elétrica, quando colocado na roda da bicicleta aciona o farol, enquanto estamos praticando a Plena Atenção, nós geramos a Energia da Consciência.

Se você está Consciente já está no controle não precisa tentar controlar o  futuro pois você age no momento presente de forma consciente, você já faz o que precisa ser feito pra ter sucesso no futuro, pois o futuro é construído no presente, no Budismo a nossa Consciência é é também gerada pela Plena Atenção, respiramos conscientemente e nos movemos assim também, bem como ficamos atentos as nossas emoções, sentimentos, sensassões, em fim tudo que se passa dentro de nós.



                           DOUTOR ZEN
 


DOENÇA/SINTOMA

Acordar de madrugada e ficar pensando nos problemas da vida.

TRATAMENTO  :

INSPIRANDO UM - EXPIRANDO DOIS (lembrando que o tempo da metalização é o mesmo da frase), Vá até dez depois retorne em ordem decrescente até um.

2º - Continuem apenas utilizando os mantras EXPIRANDO-INSPIRANDO sem a contagem numérica.

3º - Se a mente já estiver mais tranquila fiquem apenas respirando conscientemente sem os mantras, essa respiração traz de novo o momento presente e deve ser vivenciada no  dia-a-dia para gerarmos  Consciência em nossa vida diária.


POSOLOGIA

Usar até os sintomas desaparecerem.



DOENÇA/SINTOMA 
Mente perturbada e  ansiosa durante o dia.


TRATAMENTO

Concentrem toda a atenção na mente, imaginem e sintam que suas ondas cerebrais vão desacelerando a medida que vocês mantém a atenção.


POSOLOGIA

Esse tratamento não possui contra-indicações portanto pode ser usado mesmo em nas atividades cotidianas, quanto mais tempo  permanecerem com ele, mais calma e tranquila fica a mente, e a visão da vida se torna mais clara e objetiva. 




 

HORA DA PRÁTICA

Eu proponho  nesta quinzena praticarmos o Viver em Paz :   durante o dia vamos vivenciar o ultimo tratamento acima citado, em nossa vida cotidiana, desacelerando nossa mente e nossos pensamentos e sentimentos perturbadores, os que vem da consciência armazen e do modo como enxergarmos a vida.   Cada um de nós enxergamos de forma particular: uns acham a vida perigosa e sofrida e pensam até em suicídio, outros curtem a vida de forma plena, mesmos os mais otimistas estão sujeitos ao sofrimento,  a impermanência e a insatisfatoriedade leis ensinadas pelo Buda que são comuns a todos os seres humanos.

Durante essa quinzena vamos procurar fazer nossas atividades diárias com  a Mente Alerta, conforme o Mestre Thich Nhat Han ensina , desaceleramos e prestamos mais atenção ao que estivermos fazendo com mais calma e atenção gerando assim um estado relaxante, usamos também a respiração mais lenta um pouco junto com nossas atividades e quando estivermos parados, numa fila de supermercado, aguardando um ônibus, assistindo TV, etc. integramos a Meditação Dinâmica a nossa vida cotidiana, gerando a assim a Paz  e tranquilidade.
                                                                                                         
Até a próxima Edição,       




                                                                                              
                                                                                          NAMASTÊ  !
                                                                                                                                                                           
                                                                                                                                                                                   

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